Aeroporto do Galeão abriga maior ar condicionado do Rio de Janeiro. Equipamento utiliza água suficiente para encher duas piscinas olímpicas. Conta de luz do aeroporto chega a R$ 3 milhões só por causa do ar.

Esse verão tem obrigado os moradores e visitantes do Rio de Janeiro a enfrentar um calor absolutamente sufocante. Se mesmo quem está acostumado nota que a sensação é de que a coisa anda meio fora do normal, imagina quem acabou de se mudar pra cidade, depois de quatro invernos em Nova York.

Que o Rio continua lindo, disso nós já sabíamos. Que o carioca é só simpatia, também. Mas esse verão surpreendeu. Sair de -10°C, -20°C e desembarcar debaixo do sol, o sujeito estranha.

Bate até uma brisa, mas que pro Luciano, não adianta muito não.  Ele vende comida árabe na areia.

Luciano: Alguém tem que trabalhar.
Repórter: Mas essa roupa de árabe, tecido grosso, sintético, você não fica assando?
Luciano: De vez em quando a gente para, dá um mergulho. Se não, já era.

Luciano Aguiar está aproveitando o fim das férias e ainda tira onda.

Repórter: Pelo menos você pode aproveitar aí, de sunga. Olha a minha situação!
Luciano: É verdade. Fazer o que?

Agora, a vingança, Luciano. Fomos até o aeroporto para ver a diferença: 24°C sempre, não importa a temperatura lá fora.

Mas pra manter esse clima agradável, o Aeroporto do Galeão tem o maior ar condicionado do Rio. Ele é tão grande, que ocupa três prédios de três andares cada um. O ar condicionado do aeroporto funciona à base de água: 2,5 milhões de litros. O suficiente pra encher duas piscinas olímpicas. Essa quantidade toda vai e volta: é reaproveitada. Os equipamentos são como geladeiras gigantes, que deixam a água numa temperatura de 4°C.

Na galeria subterrânea do aeroporto, imagina o calorão. Lá em cima está cheio de passageiro aproveitando o ar condicionado; lá em baixo está cheio de tubulação. É pelos canos que passa a água gelada que vai resfriar os dois terminais. Agora, você tem uma ideia de quanto de tubulação tem no sistema? São 90 quilômetros.

Água geladinha transformada em ar frio. E a Adriana Bueno teve que botar o casaco.

“Está maravilhoso porque lá fora 40°C, 50°C. Por isso até que eu vim mais cedo pra aproveitar”, afirma a turista do Recife.

Conforto que os passageiros pagam na taxa de embarque. E em quanto será que fica de luz no aeroporto?

“A conta é um pouquinho alta. Com o ar condicionado, somente, nós gastamos R$ 3 milhões por mês”, conta Antônio Carlos Pinto, diretor de Engenharia- Rio Galeão.